
TEXTO ÁUREO
“E não vos conformeis com este
mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” - (Rm
12.2).
VERDADE PRÁTICA
A separação do mundo é o princípio da vida cristã autêntica e vitoriosa.
MEDITAÇÃO
1 Jo 2.17
- A sociedade mundana e suas concupiscências efêmeras.
Tg 4.4
- Amigos do mundo, inimigos de Deus.
Jo 14.16,17
- O mundo não conhece e não pode receber o Espírito Santo.
Jo 15.14-21
- O mundo odiou a Jesus e aos seus discípulos.
1 Co 1.21
- O mundo não conhece a Deus.
Cl 2.8
- Não andeis segundo os rudimentos do mundo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
JOÃO 17.13-18
13
- Mas, agora, vou para ti e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria
completa em si mesmos. 14 - Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou,
porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. 15 - Não peço
que os tires do mundo, mas que os livres do mal. 16 - Não são do mundo,
como eu do mundo não sou. 17 - Santifica-os na verdade; a tua palavra é a
verdade. 18 - Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao
mundo.
Após esta aula,
o aluno deverá estar apto a:
Julgar a qualidade
de certas produções culturais.
Discernir os
desafios culturais pós-modernos.
Avaliar os valores
da indústria de entretenimento.
QUADRO
COMPARATIVO

Palavra Chave
Mundanismo:
Hábitos, cultura e sistema da sociedade rebelada contra Deus.
De nada adianta o
título de cristão se a pessoa não demonstra uma vida santa diante de Deus e dos
homens. Todo crente precisa separar-se do mundo para viver uma vida totalmente
controlada pelo Espírito. Deus é santo, e exige de nós santidade. Ser santo é
estar separado das concupiscências desta vida. Satanás, o “príncipe deste
século” (Jo 12.31; 1 Jo 5.19), tem disseminado seus maléficos valores através
das falsas filosofias, heresias, e da nova moralidade, a fim de embaraçar o
crente com as coisas deste mundo, dificultando ou impedindo sua íntima comunhão
com Deus. Nesta lição, estudaremos sobre a influência do mundanismo na igreja, e
como resistir aos seus apelos.
I. UMA CULTURA MARCADA PELO MUNDANISMO
1. Cultura e os
valores mundanos. Segundo os dicionários, cultura é o “conjunto das realizações
materiais, filosóficas e espirituais de uma sociedade”. Ela compõe a visão de
mundo de um povo, de uma época, e de um grupo social organizado. A cultura e a
cosmovisão de uma sociedade não cristã são opostas aos valores ensinados pela
Palavra de Deus. Por isso, o cristão deve discernir, julgar, avaliar e
confrontar os valores ensinados pela sociedade de nosso tempo com os princípios
expostos na Palavra de Deus. Tudo o que for contrário às Escrituras deve ser
rejeitado e rechaçado pela Igreja. Charles Colson afirmou que “o nosso chamado
não é só para ordenarmos a nossa própria vida por princípios divinos, mas também
para exortamos o mundo” (O cristão na cultura de hoje, CPAD, p.10). A Igreja,
como luz do mundo, deve levar a sociedade a arrepender-se de seus pecados.
2. A cultura e a
Queda. O homem é um ser capaz de produzir cultura. Antes da Queda, os princípios
apreendidos e desenvolvidos pelo homem eram subordinados aos padrões morais,
éticos e sociais estabelecidos pelo próprio Deus. Portanto, nessa época, a
cultura refletia a imagem moral de Deus no homem (Gn 1.27-31; 2.15,16,18-24).
Com a entrada do pecado no mundo, não apenas a criação foi afetada, mas também a
natureza moral e ética humana. Conseqüentemente, toda a produção intelectual e
cultural da humanidade ficou condicionada à desobediência e rebelião contra Deus
(Gn 3.17-19,21,23; 4.7,19,23). Uma sociedade dominada pelo pecado, só pode
produzir uma cultura contrária aos princípios da Palavra de Deus.
3. O cuidado com as
adaptações culturais. Embora sejamos influenciados pela cultura do nosso povo
desde o nascimento, a Bíblia adverte-nos do perigo de nos tornarmos “amigos do
mundo” (Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17). Os princípios registrados nas Sagradas Escrituras
são absolutos e, portanto, não podem ser submetidos aos caprichos de uma
sociedade permissiva. A Igreja de Cristo não luta apenas contra a cultura e os
valores mundanos, mas contra as potestades malignas que gerenciam e promovem a
maldade, a licenciosidade, a permissividade, a inversão de valores, a injustiça,
entre tantas outras mazelas (Ef 2.2; 6.12). Infelizmente, alguns falsos mestres
por meio de seus ensinamentos, têm legitimado muitos costumes pecaminosos na
igreja, e há os que são coniventes e se negam a condená-los (2 Pe 2.1-3,10-19;
Jd vv.4,16-18).
SINOPSE DO TÓPICO (I)
A
cultura produzida pelo homem após a Queda é mundana e se opõe aos valores
bíblicos. Portanto, o cristão deve confrontar os hábitos mundanos com as
virtudes ensinadas pelas Escrituras.
II. O MUNDANISMO NA SOCIEDADE
1. Nas leis. Um dos
propósitos da lei é regular o relacionamento entre os homens, possibilitando a
ordem e o desenvolvimento da sociedade civil. As leis não são maiores que os
homens, mas foram constituídas para que seus direitos e deveres sejam
respeitados. Atualmente, em nosso país, muitos projetos de lei têm sido
apresentados com o objetivo de justificar certos comportamentos contrários à
Palavra de Deus, tais como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e a
utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas.
2. Na educação. A
educação secular tem como fundamento o naturalismo, o humanismo, o pluralismo,
entre outros “ismos” contrários à Bíblia. Da Educação Infantil ao ensino
superior, os valores cristãos são contestados, algumas vezes, ridicularizados, e
não poucas, ignorados. As teorias empregadas por algumas instituições são
fundamentadas no ateísmo, antropocentrismo e no relativismo moral. Os livros
didáticos costumam priorizar o evolucionismo e a autonomia espiritual e moral do
homem. Muitas dessas escolas são conhecidas pela excelência e qualidade,
entretanto, suas filosofias são contrárias a Palavra de Deus. A prioridade delas
não é a formação do caráter segundo os princípios divinos, mas capacitar o
educando para o mercado de trabalho, levando-o a ser mais competitivo numa
sociedade que prioriza o ter em vez do ser.
3. Na família. A
estrutura familiar no mundo está em processo de mudança. Nada se parece com o
que Deus instituiu no princípio. O que vemos hoje é a banalização do divórcio, a
infidelidade conjugal e a possibilidade legal de casais homossexuais adotarem
crianças. Isso é um atentado contra os alicerces familiares fixados por Deus.
4. No
entretenimento. O lazer e o entretenimento saudáveis, na medida certa, não são
prejudiciais à vida espiritual. Porém, as práticas mundanas de diversão, por
meio das quais as pessoas praticam toda forma de pecado, constituem um sério
problema para a vida social e cristã. Atualmente, o mundanismo corrompeu até
mesmo o lúdico e o entretenimento, sendo o divertimento uma ocasião para a
bebedeira, a violência, as drogas e a prostituição.
SINOPSE DO TÓPICO (II)
O
mundanisno na sociedade é visto nas leis, na educação, na família e no
entretenimento.
III. “NÃO AMEIS O MUNDO” (1 Jo 2.15-17)
1. O que significa
“amar o mundo”? Amar o mundo é estar em estreita comunhão com ele, dedicando-se
aos seus valores, costumes e cultura. Em outras palavras, é ter satisfação nas
coisas que desagradam a Deus e ofendem os princípios das Sagradas Escrituras.
Esse pernicioso sentimento impede a comunhão do crente com o Senhor (1 Jo 2.15).
É impossível amar o mundo e a Deus ao mesmo tempo (Mt 6.24; Lc 16.13; Tg 4.4).
2. Aspectos do
mundo pecaminoso. Em 1 João 2.16, a Bíblia descreve três vias que conduzem o
crente ao mundanismo:
a) “A
concupiscência da carne”: Diz respeito aos desejos impuros, a busca de prazeres
pecaminosos, e a satisfação dos sentidos (1 Co 6.18; Fp 3.19; Tg 1.14).
b) “A
concupiscência dos olhos”: Refere-se ao desejo incontrolável pelas coisas
mundanas que satisfazem à cobiça do homem (Êx 20.17; Rm 7.7). Aqui estão
incluídas a pornografia, a violência, a impiedade e a imoralidade promovidas
pelo teatro, televisão, cinema e em certos periódicos (Gn 3.6; Js 7.21; 2 Sm
11.2; Mt 5.28).
c) “A soberba da
vida”: Diz respeito ao orgulho do homem pecador que não reconhece o senhorio de
Deus. Tal pessoa procura exaltar, glorificar e promover a si mesma, julgando-se
independente de tudo e de todos (Tg 4.16).
SINOPSE DO TÓPICO (III)
As
três vias que conduzem o homem ao mundanismo são: concupiscência da carne e dos
olhos, e a soberba da vida.
IV. “NÃO VOS CONFORMEIS COM ESTE MUNDO” (Rm 12.2)
1. O que é
conformar? O verbo “conformar”, no original, significa “ser modelado de acordo
com um padrão” e refere-se à constante imitação de uma atitude ou conduta até
que a pessoa se torne igual ao modelo. Neste versículo, a Bíblia ensina que o
crente deve resistir, combater e não imitar os padrões de comportamento, a
cultura e os valores mundanos, pois a igreja não é apenas separada do mundo, mas
consagrada a Deus. Seu comportamento reflete a vontade e a natureza de Deus para
a humanidade.
2. “Mas
transformai-vos...”. Na Bíblia, a mente renovada é fruto da atuação do Espírito
Santo (2 Co 3.18; Tt 3.5). O crente de “mente renovada” pelo Espírito é capaz de
discernir a perfeita e agradável vontade de Deus para a vida diária. Ele não se
confunde e não se molda aos padrões e valores mundanos, pelo contrário, sabe o
que agrada ou não a Deus. Neste texto, a razão iluminada pelo Espírito
sobrepõe-se às emoções e inclinações naturais. O processo de renovação do
entendimento do crente deve ser contínuo e pessoal.
SINOPSE DO TÓPICO (IV)
O
processo de renovação do entendimento do crente deve ser contínuo e pessoal.
CONCLUSÃO
O crente que busca
uma vida santa não pode se conformar com as coisas deste mundo. Observemos que
as concupiscências estão associadas à falta de conhecimento legítimo do que é
útil, real e necessário para se ter uma vida que agrada a Deus. Só cai em
concupiscência quem perdeu a visão do Reino de Deus, e fixou seu olhar nas
ilusões passageiras desse mundo.
SUBSÍDIO APOLOGÉTICO
“O modelo
transformacional de Paulo [...] Na visita de Paulo a Listra (At 14), vemos como
a cultura helenística dos seus dias tinha sido divinizada. A cultura em si
tornou-se um deus com seu próprio seguimento de culto. Depois da cura milagrosa
de um aleijado, as multidões estavam certas de que Paulo e Barnabé eram
realmente os deuses gregos Hermes e Zeus. O sacerdote do templo de Zeus
apressou-se em sacrificar bois e guirlandas àqueles homens que fizeram milagres
divinos. As multidões interpretaram o que lhes era maravilhoso e tentaram
enfiá-lo em sua cosmovisão cultural-religiosa. Paulo e Barnabé corrigiram o
engano, mas só a duras penas, mostrando-nos assim outra abordagem à cultura
popular. Esta abordagem chama-se redentora ou transformacional. Está arraigada
no mandamento cultural de Gênesis e floresce na obra do apóstolo Paulo”.
(PALMER, M. D.
(org.) Panorama do pensamento cristão. RJ: CPAD, 2001, pp. 406-7.)
APLICAÇÃO PESSOAL
A atuação maligna
na pós-modernidade diferencia-se da forma violenta como os cristãos do período
greco-romano foram perseguidos ou da inquisição atroz. As estratégias estão mais
sutis, difíceis de serem detectadas, e não pretendem aniquilar o Cristianismo,
mas impedir o seu avanço, atenuar a sua mensagem, e enfraquecer a identidade
cristã.
A mentira está
disfarçada de verdade; a verdade está sob suspeita. Os valores morais e bíblicos
perdem espaço para a moralidade hedonista e egocêntrica. Não se trata de mera
ação humana, mas de nova roupagem para velhos pecados sob a batuta da antiga
serpente.
VOCABULÁRIO
Antropocêntrico:
Doutrina filosófica que considera o homem como o centro de todas as coisas.
Efêmero:
De pouca duração; passageiro, transitório.
Lúdico:
Referente a, ou que tem, o caráter de jogos, brinquedos e divertimentos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LUTZER, E. Cristo entre outros deuses. RJ: CPAD, 2000.
(PALMER, M. D. (org.) Panorama do pensamento cristão. RJ: CPAD, 2001, pp. 401,
403.)
Revista EBD Jovens e Adultos da CPAD - 3º Trimestre de 2008 - Comentarista
Wagner Dos Santos Gaby.